PT: Já sentiste que as palavras têm cor, mas que, por vezes, a tua dor não tem voz? 🎨 Olá, sou a M.ª Leonor Costa — a Nonô. Sou autora e mentora de escrita curativa. Acredito que a poesia não é apenas um género literário, é uma ferramenta de libertação. Ajudo-te a transformar as emoções que carregas — e que ainda não sabes como nomear — em palavras que curam e libertam. Aqui, a escrita é uma prática viva: um convite para leres com o corpo, desbloqueares o que está preso e encontrares, finalmente, a tua própria voz. 🌸✨ Queres começar a escrever a tua libertação? Junta-te a mim e descobre como.
🌍 EN: Do you ever feel that words have colour, but your pain remains voiceless? 🎨 Hello, I’m M.ª Leonor Costa — Nonô. I am an author and a therapeutic writing mentor. I believe poetry is not just a genre; it is a tool for liberation. I help you transform the emotions you carry — the ones you cannot yet name — into words that heal and set you free. Here, writing is a living practice: an invitation to read with your body, unlock what is trapped, and finally find your own voice. 🌸✨ Are you ready to write your own liberation? Join me and discover how.

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

📺🎙️ Beijos Poéticos Episódio #04: Gramática e Gramatiquês / Poetic Kisses Episode #04: Grammar and "Grammarese"

1. Introdução / Introduction

PT: Bem-vindos ao quarto episódio de Beijos Poéticos, um videocast quinzenal de M.ª Leonor Costa, autora do blogue Poesias da Nonô. Hoje vamos falar do esqueleto do meu trabalho. Muitas vezes chamam-lhe gramática, outras vezes "gramatiquês", mas para mim, é a arquitetura da alma. Hoje, a regra curva-se à emoção.


EN: Welcome to the fourth episode of Beijos Poéticos, a biweekly videocast by M.ª Leonor Costa, author of the blog Poesias da Nonô. Today we’re going to talk about the framework of my work. It’s often called grammar, other times what I call "grammarese," but to me, it’s the architecture of the soul. Today, the rule bows to emotion.

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📺Vê o Videocast / Watch the Videocast:

🎧 Ouve o Podcast / Listen to the Podcast:




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2. O Beijo Clássico: Adélia Prado / The Classic Kiss

PT: Para abrir esta construção, escolhi a voz de Adélia Prado e o seu poema "O Alfabeto No Parque". Adélia ensina-nos que saber escrever não é apenas dominar a gramática; é ter a coragem de capturar a "coisa" e não apenas a palavra.

 

EN: To open this construction, I chose the voice of Adélia Prado and her poem "The Alphabet in the Park." Adélia teaches us that knowing how to write isn't just about mastering grammar; it’s about having the courage to capture the "thing" and not just the word.


PT: O Alfabeto No Parque

 

Eu sei escrever.

Escrevo cartas, bilhetes, lista de compras,

composição escolar narrando o belo passeio

à fazenda de vovó que nunca existiu

porque ela era pobre como Jó.

Mas escrevo também coisas inexplicáveis:

quero ser feliz, isto é amarelo.

E não consigo, isto é dor.

Vai-te de mim, tristeza, sino gago,

pessoas dizendo entre soluços:

‘Não aguento mais.’

Moro num lugar chamado globo terrestre

onde se chora mais

que o volume das águas denominadas mar,

para onde levam os rios outro tanto de lágrimas.

Aqui se passa fome. Aqui se odeia.

Aqui se é feliz, no meio de invenções miraculosas.

Imagine que uma dita roda-gigante

propicia passeios e vertigens entre

luzes, música, namorados em êxtase.

Como é bom! De um lado os rapazes,

do outro as moças, eu louca pra casar

e dormir com meu marido no quartinho

de uma casa antiga com soalho de tábua.

Não há como não pensar na morte,

entre tantas delícias, querer ser eterno.

Sou alegre e sou triste, meio a meio.

Levas tudo a peito, diz minha mãe,

dá uma volta, distrai-te, vai ao cinema.

A mãe não sabe, cinema é como dizia o avô:

‘cinema é gente passando.

Viu uma vez, viu todas.’

Com perdão da palavra, quero cair na vida.

Quero ficar no parque, a voz do cantor açucarando a

[tarde...

Assim escrevo: tarde. Não a palavra.

A coisa.

 

EN: The Alphabet In The Park

 

I know how to write.

I write letters, notes, shopping lists,

school essays narrating the beautiful trip to grandma's farm that never existed

because she was poor as Job.

But I also write inexplicable things:

I want to be happy, that is yellow.

And I can’t, that is pain.

Go away from me, sadness, stuttering bell,

people saying between sobs:

‘I can’t take it anymore.’

I live in a place called planet Earth

where one cries more

than the volume of the waters called the sea,

where rivers carry just as many tears.

Here people starve. Here people hate.

Here people are happy, amidst miraculous inventions.

Imagine that a so-called Ferris wheel

provides rides and vertigo

among lights, music, lovers in ecstasy.

How good it is! On one side the boys,

on the other the girls, me crazy to get married

and sleep with my husband in the small room

of an old house with wooden floors.

There is no way not to think of death,

among so many delights, wanting to be eternal.

I am happy and I am sad, half and half.

You take everything to heart, says my mother,

go for a walk, distract yourself, go to the movies.

Mother doesn’t know, cinema is as grandfather used to say:

‘cinema is people passing by.

Seen it once, seen it all.’

If you’ll pardon the expression, I want to dive into life.

I want to stay in the park, the singer’s voice sugaring the

[afternoon...

Thus I write: afternoon.

Not the word.

The thing.

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3. A Minha Gramática / My Grammar

PT: Na escola, ensinam-nos a ter medo de errar, como se a gramática fosse uma prisão. Mas na poesia, o erro pode ser a parte mais honesta de um verso. No meu blogue, trato-te por tu porque a minha gramática é a da proximidade.


EN: In school, they teach us to be afraid of making mistakes, as if grammar were a prison. But in poetry, the mistake can be the most honest part of a verse. In my blog, I address you as the familiar you because my grammar is of proximity.


PT: A Minha Gramática

 

Não me fales em gramatiquês,

em normas de chumbo ou de frio.

Eu trato o meu leitor por tu,

como quem olha o curso de um rio.

 

O meu sujeito é sempre o amor,

o verbo é um tempo de entrega.

O ponto final?

É uma dor que o meu verso teimoso nega.

 

Não me prendas em conjunções,

nem me dês advérbios de modo.

Eu vivo de interjeições,

mergulho na língua, de rodo.

 

Prefiro a vírgula que respira,

o hiato de um beijo suspenso.

A gramática que me inspira

 é o modo como eu te penso.

 

EN: My Grammar

 

Don’t talk to me in "grammarese,"

in norms of lead or of cold.

I address my reader intimately,

like one who watches the course of a river.

 

My subject is always love,

the verb is an act of surrender.

The period?

It’s a pain that my stubborn verse denies.

 

Don’t trap me in conjunctions,

nor give me adverbs of manner.

I live on interjections,

I dive headfirst into language.

 

I prefer the comma that breathes,

the hiatus of a suspended kiss.

The grammar that inspires me

is the way I think of you.

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👀 Ver também / See also

📺🎙️ Ep. 01— Uma viagem desde as raízes de Safo até ao meu percurso pessoal / A journey from Sappho to my personal path

📺🎙️ Ep. 02 — Dia Internacional do Trabalhador / International Workers' Day

📺🎙️ Ep. 03— Linhagem de Gato Vadio / Stray Cat Lineage

🗞️🎥 Fora do blogue / Beyond the blog

💋 Videocast “Beijos Poéticos” / 💋 “Poetic Kisses” Videocast

📖 POESIAS DA NONÔ ZINE — poesia, emoção e arte digital / 📖 POETRY BY NONÔ ZINE — poetry, emotion, and digital art

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4. Encerramento / Closing

PT: A minha gramática é a da proximidade. E a tua? Qual é a palavra que melhor te define? O convite continua aberto: gostavas de ler um poema neste espaço? Envia um áudio e uma breve apresentação para poesiasdanono@gmail.com. Quero que este videocast seja também a tua voz.


EN: My grammar is one of proximity. And yours? What is the word that best defines you? The invitation remains open: would you like to read a poem in this space? Send an audio recording and a short introduction to poesiasdanono@gmail.com. I want this videocast to be your voice too.

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✍️ Palavra Final / ✍️ Final Words

PT: Lembra-te: o blogue é semanal, mas o nosso encontro em videocast é quinzenal, às sextas-feiras, às 13h13.


EN: Remember: the blog is weekly, but our videocast meeting is biweekly, on Fridays at 1:13 PM.

Gratidão Beijos Poéticos

 Gratitude and Poetic Kisses

Poetic Kisses

M.ª Leonor Costa 

(Poesias da Nonô)

Poesias da Nonô

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