PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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sexta-feira, 29 de abril de 2016

O parente pobre / The poor relative

O parente pobre

Fica sempre de fora

Não consegue acompanhar o nobre

Que vira costas e se vai embora.

 

Falta-lhe poder de compra

Para melhor viver

Faz aquilo que pode

Para conseguir sobreviver.

 

Pode ser um pai, mãe,

Primo, tio, sobrinho ou irmão

É parente também

E doí-lhe o coração.

 

O parente pobre

Nem sempre pode comparecer

Faz aquilo que pode

Mesmo ficando a sofrer.

 

Agualva, Sala de refeições

no dia 19 de abril de 2016,

escrito à mão

19h40

 


The poor relative

It is always off

You can’t follow the noble

That turns his back and walks away.

 

Lacks purchasing power

To better live

Do what you can

In order to survive.

 

It can be a parent,

Cousin, uncle, nephew or brother

It is also relative

And it hurts his heart.

 

The poor relative

You can’t always attend

Do what you can

Even going to suffer.

 

Agualva, dining room

on April 19, 2016,

handwritten

7:40 p.m

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