PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Diálogo entre poemas / Dialogue between poems: Comigo me desavim / Have a Father! – Sá de Miranda

Imagem retirada da Internet e manipulada com/ Image taken from the Internet and manipulated with: https://photomania.net/editor
Faço as pazes comigo (Nonô)


Faço as pazes comigo
Não quero fugir de mim
Escolho viver assim
Sou o meu melhor amigo.

Com boa energia
Como uma benesse
Uma melhor realidade se cria
No interior uma prece.
De que adianta imaginar o fim?
Semeio e prossigo
Sozinho ou tendo-te comigo
Enalteço o melhor de mim.

Lisboa
23 de maio de 2019
8h08

***
Comigo me Desavim – Sá de Miranda (Portugal
28 Ago 1481 - 15 Mar 1558) in 'Antologia Poética'

Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?

***
I make up with me (Nonô)

I make up with me
I do not want to run away from me
I choose to live like this
I'm my best friend.

With good energy
How a blessing
A better reality is created
Inside a prayer.
What's the use of imagining the end?
Sow and pursue
Alone or having you with me
I praise the best of me.
Lisbon
May 23, 2019
8:08 a.m.

***
With me I Desavim - Sá de Miranda (Portugal
28 Aug 1481 - 15 Mar 1558) in 'Poetic Anthology'

With me,
I am put in every danger;
I can not live with me
I can not even run away from me.

With pain of the people ran away,
Before it grew,
I would now run away
From me, if only I could.
That I wait or what purpose
From the work that I follow,
Because I bring to me with me
Big enemy of me?
 

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