PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quinta-feira, 4 de maio de 2017

O amolador / The grinder

O amolador passa na rua
Com certeza vai chover
Ele toca a flauta
Da sua passagem todos ficam a saber.

Afia facas e tesouras
A quem dos seus serviços precisar.
É um vendedor ambulante
Cada vez mais raro de encontrar.

Ainda hoje ele passa na minha rua
Lembrando-me um som de criança
Uma música característica
Um som que nunca cansa.

Sentada à secretária, no meu quarto, em casa dos meus pais
Escrito a computador
26 de abril de 2017
20h55


The grinder passes on the street
surely it will rain
He plays the flute.
From his passage everyone knows.

He sharpens knives and scissors
For whom his services need.
He's a street vendor.
Increasingly rare to find.

Even today he passes on my street
Remembering a childlike sound
A characteristic music
A sound that never tires.

Sitting at my desk in my room at my parents' house.
Written to computer
April 26, 2017

8:55 p.m.

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