PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quinta-feira, 24 de março de 2016

Já não corro / I no longer run

Já não corro pela vida
Nem para te apanhar
O meu ritmo é outro
Tenho de o respeitar.

Já não corro para um comboio
Nem para agarrar um lugar
Sigo a minha cadência
Prefiro caminhar.

Percorro muitas léguas
Consigo não me cansar
Vivo intensamente e sem tréguas
No meu devido lugar.

Sou a tartaruga da fábula
Deixo a lebre me ultrapassar
Acabo por ao meu ritmo
Chegar em primeiro lugar.

Sentada no comboio da linha de Sintra (Amadora)
no dia 8 de março de 2016,
escrito à mão
18h15


I no longer run for life
Not to catch you
My pace is another
I have to respect it.

I no longer run for a train
Or to grab a place
I follow my cadence
I prefer to walk.

I walk many leagues
I can’t get tired
I live intensely and relentlessly
In my place.

I am the fabled turtle
I let the hare overcome me
I end up at my own pace
Arriving in first.

Sitting on the train from Sintra line (Amadora)
on March 8, 2016,
handwritten

6:15 p.m.

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