PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quinta-feira, 3 de março de 2016

Adiar a vida / Postpone life


Adiar a vida

Com medo do que está para acontecer

É sentir arrependida

E com medo de viver.

 

Esperar pelo amanhã

Para tudo o que tem de ser agora

É uma atitude vã

Uma flor que não desflora.

 

Adiar o inadiável

Por receio ou insegurança

É inimaginável

Reprimir a esperança.

 

Esperar e desesperar

É uma atitude pouco ativa

Mesmo indo devagar

É preciso seguir a vida.

 

Sentada no comboio da linha de Sintra

no dia 29 de janeiro de 2016,

escrito à mão

18h26

 

 
Postpone life

Afraid of what is about to happen

It is feeling sorry

And afraid to live.

 

Wait for tomorrow

For all that has to be now

It is a vain attitude

A flower that not blooms.

 

Postpone the unavoidable

For fear or insecurity

It is unimaginable

Repress hope.

 

Wait and despair

It's a little active attitude

Even going slowly

You have to follow life.

 

Sitting on the Sintra line train

on January 29, 2016,

handwritten

6:26 p.m

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