PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Podia ter nascido angolana / I could have been born Angolan

Podia ter nascido angolana
Mas nasci em Portugal
Outro continente seria o meu berço
Após a Guerra Colonial.

Vim ao mundo no Verão quente
Em período de convulsão política
De nove meses e meio
Olhos abertos e magnífica.

Único bebé do género feminino
Que naquele dia nasceu naquel hospital
Não há sombra para dúvidas
Nasci para ser especial.

Sentada na mesa da cozinha em casa dos meus pais
Escrito à mão
26 de outubro de 2016
7h52

I could have been born Angolan
But I was born in Portugal
Another continent would be my crib
After the Colonial War.

I came into the the world in the hot summer
In political turmoil period
Of nine and a half months
eyes open and magnificent.

The only female gender baby
Who was born on that day in that hospital
No shadow for doubt
I was born to be special.

Sitting at the kitchen table in my parents' house
Handwritten
October 26, 2016

7:52 a.m.

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