PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Catarse das Palavras: "Apanhei o buquê da noiva" / Catharsis of Words: "I Caught the Bride's Bouquet"

PT: Apanhei o buquê da noiva

 

Apanhei o buquê da noiva;

deve ter sido um acidente.

Ela atirou-o para trás das costas,

e eu agarrei-o de repente.

 

Para mim, foi uma brincadeira,

pois nunca quis casar.

Efeito do azar ou da sorte,

agora estou-me a separar.

 

Era um buquê moderno,

simples e singelo.

Tinha rosas brancas;

tornou-se agora símbolo de um flagelo.

 

No próximo casamento a que eu assistir,

já sei o que devo evitar.

Não volto a recolher o buquê,

nem a sério, nem a brincar.

 

Poema manuscrito: Sentada na minha cama, no quarto cor-de-rosa, da minha casa em Chaves, 22 de maio de 2015, 6h18

In Costa, M.ª Leonor. Catarse das Palavras. Vol. I
Catharsis of Words

EN: I Caught the Bride's Bouquet

 

I caught the bride's bouquet;

it must have been an accident.

She threw it over her shoulder,

and I grabbed it all of a sudden.

 

To me, it was a joke,

since I never wanted to get married.

A result of bad luck or good luck,

now I'm separating.

 

It was a modern bouquet,

simple and unadorned.

It had white roses;

it has now become a symbol of a curse.

 

At the next wedding I attend,

I already know what I should avoid.

I won't catch the bouquet again,

not seriously, not even as a joke.

 

Handwritten poem: Sitting on my bed, the pink-colored bedroom of my house in Chaves, May 22, 2015, 6:18 a.m.

In Costa, M.ª Leonor. Catharsis of Words. Vol. I
Nonô Poetry



Nota: Este artigo foi revisto e atualizado no dia 09/10/2025.

Note: This article was revised and updated on October 9, 2025.

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