PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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domingo, 29 de março de 2015

Amores Platónicos / Platónic Loves - Não quero voltar para casa / I don’t want to go back home

Não quero voltar para casa
Não quero voltar para casa
O que me espera já nada me diz
O tempo fez-nos mal
Tu já não me fazes feliz.

Não sei se o nosso amor foi real
Ou uma pura ilusão
Aquele sentimento outrora verdadeiro
Hoje acho que foi um equívoco do coração.

O nosso amor não cresceu
Porque não olhamos no mesmo sentido
A paixão inicial morreu
O nosso futuro em comum ficou corrompido.

Já nada há fazer
A vida encarregou-se de me mostrar o caminho
Não posso continuar a esconder
Terás de prosseguir o teu sozinho.

Eu regressarei às minhas origens
À terra onde nasci
Vou para junto da minha família
E fazer de conta que nunca parti.

Sentada no sofá em casa dos meus pais (Mem-Martins)
Poema manuscrito,
26 de março de 2015, 19h22
In Costa, M.ª Leonor. Amores Platónicos. Vol. I

Platónic Loves

I don’t want to go back home
I don’t want to go back home
What awaits me no longer tells me nothing
The time made us sick
You no longer make me happy.

I don’t know if our love was real
Or a pure illusion
That true feeling once
Today I think it was a mistake of the heart.

Our love did not grow
Because we did not look in the same direction
The initial passion died
Our Common Future was corrupted.

Nothing is to do
Life undertook to show me the way
I can’t continue to hide
You have to pursue your own.

I will return to my roots
To the land of my birth
I go join my family
And pretend that I never left.

Sitting on the couch in my parents' house (Mem-Martins),
Handwritten,
on March 26, 2015, 7:22 p.m.
In Costa, M.ª Leonor, Platónic Loves. Vol. I
Nonô Poetry

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