PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

💌PT: Contacto / 💌EN: Get in touch:

marialeonorcost@gmail.com

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Catarse das Palavras: "Há coisas que me revoltam" / Catharsis of Words: "There Are Things That Revolt Me"

PT: Há coisas que me revoltam

 

Há coisas que me revoltam

e sobre as quais preciso de falar.

Ontem vi um cão largado à sua sorte na estrada,

sujeito a morrer ou a matar.

 

Não entendo a pedofilia,

nem nenhuma forma de exploração sexual.

Só deve haver encontros consentidos,

é isso que torna o sexo especial.

 

Não consigo compreender

os despedimentos que na rádio se anunciam.

Os empregos tornam-se precários,

mas dos encargos não nos aliviam.

 

Faz-me confusão a importância dada ao futebol

e a todas as más notícias.

Parece que o que é bom não importa,

ou que não passam de ideias fictícias.

 

Só se ouve falar de mortes,

a maior parte devido a homicídios.

Há também as questões económicas,

uns autênticos suicídios.

 

As coisas boas também devem ser notícia

para as pessoas motivar.

O mundo não pode ser tão ruim,

é nisso que temos de acreditar.

 

Para já o desabafo fica feito,

tenho mais com que me revoltar.

Escrevi este poema,

e o meu ânimo consegui acalmar.


Escrito: Sentada no autocarro para Boticas, lugar n.º 5,

22 de janeiro de 2015, 8h52

In Costa, M.ª Leonor. Catarse das Palavras. Vol. I

Catharsis of Words

 

There are things that revolt me

and that I need to talk about.

Yesterday I saw a dog abandoned to its fate on the road,

at risk of dying or causing death.

 

I don’t understand pedophilia,

nor any form of sexual exploitation.

There should only be consensual encounters,

that’s what makes sex special.

 

I cannot understand

the dismissals announced on the radio.

Jobs are becoming precarious,

but they don’t relieve us of the burdens.

 

The importance given to football and all the bad news

confuses me.

It seems that what is good doesn't matter,

or that they are just fictitious ideas.

 

We only hear about deaths,

most of them due to homicides.

There are also the economic issues,

veritable suicides.

 

Good things should also be news

to motivate people.

The world can’t be so bad,

that is what we have to believe.

 

For now, the outburst is done,

I have more things that revolt me.

I wrote this poem,

and I was able to calm my spirit.


Written: Sitting on the bus to Boticas, place number 5,

January 22, 2015, 8: 52 a.m.

In Costa, M.ª Leonor. Catharsis of Words. Vol. I
Nonô Poetry
Nota: Este artigo foi revisto e atualizado no dia 08/10/2025.

Note: This article was revised and updated on October 8, 2025.

Sem comentários:

Enviar um comentário

📩💖Formulário de Contacto / 📩💖 Contact Form

Nome

Email *

Mensagem *