PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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sábado, 28 de maio de 2016

O Azarento / The unlucky

Logo pela manhã
Dá um chuto numa nota
Outra pessoa a apanha
Ele grita a sua revolta.

Tudo lhe parece correr mal
Sem ele compreender porquê
Uma vida de azares
Um sofrimento que ninguém vê.

Não nasceu virado para a lua
Mas luta contra o desalento
Ele é como todos nós
Mas muito azarento.

Agualva
13 de maio de 2016
escrito à mão
17h29


Early in the morning
He gives a kick in a note
Another person catches it
He shouts his anger.

Everything seems to go wrong him
Without him understand why
A lifetime of bad luck
A suffering that nobody sees.

He was not born facing the moon
But he fights discouragement
He's like all of us
But very unlucky.

Agualva
May 13, 2016
handwritten

5:29 p.m.

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