PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quinta-feira, 28 de março de 2019

Catarse das Palavras / Catharsis of Words - Mundo cão / Dog world

Imagem retirada da Internet e manipulada com/ Image taken from the Internet and manipulated with: https://photomania.net/editor
Mundo cão
De língua de fora
Sem fôlego e cansado
Cujo dono ignora.

Selvaticamente atacado
Sem se poder defender
Triste e maltratado
Sempre a sofrer.

Deixado ao abandono
Vagueia perdido
Gira sem rumo
Zangado e combalido.

Ninguém o protege
Da crueldade e ganância
Tudo está às avessas
Vive-se na ignorância.

Comboio (Queluz),
Poema manuscrito,
27 de fevereiro de 2019,
17h17


Dog world
With tongue out
Breathless and tired
Whose owner ignores.

Selvatica attacked
Without being able to defend itself
Sad and ill-treated
Always suffering.

Left to abandon
Wandering lost
Turns aimlessly
Angry and upset.

Nobody protects him
From cruelty and greed
Everything is backwards
We live in ignorance.

Train (Queluz),
Handwritten poem,
February 27, 2019,
5:17 p.m.



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