PT: A poesia não pede licença nem serve para acalmar: é um território vivo de catarse, voz e atitude. Sou a M.ª Leonor Costa (Nonô) — escritora, performer e criadora de Poesias da Nonô. Dou corpo, som e presença à palavra dita em português e inglês, habitada por heterónimos que navegam entre o visceral, o sagrado e o quotidiano. Entra sem pressa. Lê com o corpo, escuta com a pele e habita este espaço.
EN: Poetry doesn't ask for permission, nor is it meant to soothe: it is a living territory of catharsis, voice, and attitude. I am M.ª Leonor Costa (Nonô) — writer, performer, and creator of Poesias da Nonô. I give body, sound, and presence to spoken word in Portuguese and English, inhabited by heteronyms navigating the visceral, the sacred, and the everyday. Step inside. Read with your body, listen with your skin, and inhabit this space.

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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Não deixes o tempo / Do not let time

Não deixes o tempo
Meter-se entre nós
Inseguranças e mexericos
Tudo isto pode ser atroz.

Por momentos avanças-te
Logo te senti recuar
Não sei o que receias
Eu não te ia recusar.

Mal entendidos
Ou más interpretações
Este mundo está mesmo cheio
De más intensões.

A tua súbita indiferença
Conseguiu me magoar
Se não tens boas intensões
Podes te pôr já a andar.

Sentada na gare de comboio de Mem-Martins,
22 de junho de 2016
escrito à mão
8h40


Do not let time
Meddle between us
Insecurities and gossip
All this can be excruciating.

For moments you came on
Soon I felt you go back
I do not know what you fear
I would not refuse you.

Misunderstandings
Or misinterpretations
This world is really full
Of bad intensions.

Your sudden indifference
Could hurt me
If you do not have good intensions
You can see you go.

Sitting in Mem-Martins train gare,
June 22, 2016
handwritten

8:40 a.m.

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